A renomada atriz britânica Judi Dench, aos 90 anos, compartilhou em entrevista ao programa “ITV News” o avanço da degeneração macular, condição que tem afetado significativamente sua capacidade visual ao longo do tempo. Diagnosticada em 2012 com a forma relacionada à idade da doença, a vencedora do Oscar relatou que a progressão da patologia já compromete atividades cotidianas, como o reconhecimento de pessoas próximas, a leitura e até mesmo o ato de assistir televisão.
Questionada sobre sua diminuição nas aparições cinematográficas recentes, Dench foi categórica: “Eu não consigo mais enxergar”. Essa limitação visual exerceu um impacto decisivo em sua trajetória profissional, culminando em seu último trabalho registrado nas telonas no filme “Allelujah”, lançado em 2022.
A degeneração macular é uma alteração ocular caracterizada pelo desgaste gradual da mácula, a porção central da retina fundamental para a nitidez da visão. É nessa área que os detalhes visuais são processados, permitindo a realização de tarefas que exigem precisão, como leitura, condução de veículos, identificação de rostos e a percepção acurada de cores. Quando a mácula se deteriora, a visão central é comprometida, enquanto a visão periférica tende a permanecer intacta.
Existem duas manifestações principais da doença: a degeneração macular seca e a úmida. A forma seca, mais prevalente, evolui de maneira lenta e gradual, associada ao afinamento natural da mácula e à formação de depósitos chamados drusas. Já a forma úmida, menos comum, apresenta um curso mais agressivo, resultante do crescimento anômalo de vasos sanguíneos sob a retina, que podem ocasionar vazamentos de sangue ou líquido e acelerar a perda visual.
A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é a variante mais conhecida e comumente afeta indivíduos com mais de 50 ou 60 anos. Fatores como predisposição genética, tabagismo, hipertensão arterial, exposição solar excessiva e hábitos alimentares inadequados também podem elevar o risco de desenvolvimento da condição.
Os sintomas mais frequentes incluem visão turva, distorção de linhas retas e uma dificuldade crescente em reconhecer rostos ou executar tarefas que demandam foco visual. Embora não haja cura definitiva, existem abordagens terapêuticas que visam retardar a progressão da doença e, em certos casos – notadamente na DMRI úmida –, preservar parte da visão através de tratamentos como injeções intraoculares, terapias a laser ou medicamentos específicos.
A detecção precoce é um pilar essencial no manejo da degeneração macular. Exames oftalmológicos regulares desempenham um papel crucial na identificação de alterações na mácula antes que a perda visual se torne irreversível. Dada sua natureza progressiva e o impacto direto na qualidade de vida, a degeneração macular é reconhecida como uma das principais causas de deficiência visual em idosos. Por essa razão, campanhas de conscientização, diagnóstico antecipado e acompanhamento contínuo com especialistas são fundamentais para a preservação da saúde ocular.
Outras personalidades públicas, como o escritor Stephen King, a atriz Maria Zilda e o ator Bento Veiga, também já tornaram pública sua luta contra a degeneração macular.