A atriz Júlia Almeida, filha do saudoso autor de novelas Manoel Carlos, Manoel Carlos (1933-2026), conhecido carinhosamente como Maneco, tem se mantido ativa nos bastidores da preservação da obra de seu pai, falecido no último sábado (10) aos 92 anos. Em meio ao luto, Júlia, que sempre esteve presente em diversas produções do novelista, prestou uma emocionante homenagem ao pai através de suas redes sociais.
“Obrigada por cada mensagem, cada gesto e cada palavra acolhedora. Meu pai fez sua travessia tranquila, encerrando um lindo ciclo aqui e iniciando uma nova jornada. Muito obrigada por todo o carinho. Seu legado continua”, escreveu a atriz em seu perfil oficial no Instagram, agradecendo o apoio recebido.
Manoel Carlos, célebre por retratar a sociedade carioca em suas tramas, lutava contra a Doença de Parkinson e estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, Rio de Janeiro. Sua última obra na televisão foi a novela “Em Família”, de 2014. O autor deixou cinco filhos, dos quais três o precederam na partida: Ricardo de Almeida (vítima de complicações do HIV em 1988), Manoel Carlos Júnior (falecido por ataque cardíaco em 2012) e Pedro Almeida (que sofreu um mal súbito em 2014). Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina são as filhas que permanecem.
Atualmente, Júlia Almeida dedica-se integralmente à Boa Palavra, produtora criada para gerenciar o legado e os direitos autorais das obras de Manoel Carlos. Afastada das novelas desde sua participação em “Tempo de Amar” (2018), a atriz herdou dos pais a missão de zelar pelo vasto patrimônio intelectual do novelista. Um dos projetos recentes de sua iniciativa é o documentário “O Leblon de Manoel Carlos”, dirigido por ela e disponível no YouTube, que busca manter viva a memória do criador das icônicas personagens “Helenas”.
Além de seu trabalho no audiovisual e na gestão do acervo, que conta com mais de 7.000 caixas de material digitalizado, Júlia Almeida também atua como diretora criativa da Florita Beachwear, uma marca de moda sustentável lançada em 2017. Sua atuação em múltiplas frentes ocorre em paralelo à sua batalha pessoal contra a epilepsia, diagnosticada em 2007. A atriz revelou em entrevistas que, após um período de negação e ajustes na medicação, conseguiu controlar a doença e hoje leva uma vida normal.
A epilepsia, uma condição neurológica que causa convulsões devido a perturbações na atividade elétrica do cérebro, foi um diagnóstico que Júlia recebeu após ter tido três meningites na infância. A primeira convulsão ocorreu quando ela estava na academia, levando-a a buscar ajuda médica e, posteriormente, o diagnóstico oficial após uma série de exames. A artista tem compartilhado sua experiência, enfatizando a importância do tratamento contínuo e da adaptação da medicação para manter a qualidade de vida.