Com uma trajetória que se estende por duas décadas no audiovisual, Yana Sardenberg, aos 35 anos, encontra na direção de novelas verticais um novo palco para sua criatividade. A atriz, que iniciou sua carreira ainda criança no programa ‘Gente Inocente’ e passou por diferentes formatos na TV, como ‘TV Globinho’, ‘Floribella’, ‘Apocalipse’ e a série ‘De Volta aos 15’, agora se dedica integralmente a essa linguagem inovadora, tanto à frente quanto por trás das câmeras.
“O bichinho me picou. Eu já entendia muito de set de filmagem, por conta da minha trajetória no audiovisual, e amei dirigir. Realmente me encontrei nas verticais”, declara Sardenberg, que viu nas produções curtas e verticais um universo promissor. Após sua estreia no formato com ‘De Volta ao Jogo’, do aplicativo Reelshort, a artista abraçou a oportunidade de liderar projetos nesse segmento.
Recentemente, Yana dirigiu ‘Chefe, a Nova Estagiária Parece Ser a Sua Esposa’, a primeira novela vertical original do TikTok Brasil, que acumulou mais de 100 milhões de visualizações. Paralelamente, ela interpreta a vilã Samantha em ‘Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário’, uma novela do Globoplay adaptada para o formato vertical.
A atriz celebra o retorno simbólico à TV Globo através das verticais, um mercado no qual se considera pioneira. “Não é uma tendência, é uma realidade, tanto que a Globo começou a fazer. Passarinho que chega cedo bebe água fresca e isso é muito real”, afirma, antecipando mais dois projetos de direção ainda este mês e em março.
Para Yana, a praticidade e a acessibilidade das novelas verticais, consumidas majoritariamente em dispositivos móveis, são fatores cruciais para seu sucesso. “Está todo mundo no celular hoje. Antigamente, a gente assistia à novela no sofá, hoje em dia você pode ver em qualquer lugar. Então, acho que a praticidade favoreceu muito”, pontua.
Ela também ressalta as oportunidades que o formato oferece para profissionais da atuação, embora alerte para a necessidade de adaptação à linguagem. “A linguagem é direta, é um público que consome um conteúdo um pouco mais rápido. Também acho que não é para todo mundo, tem que continuar estudando, tem que saber fazer, porque a vertical é inteira o ator, é a cara dele, o figurino e um bom áudio”, explica a também produtora executiva, que pretende abrir portas para novos talentos.
Yana Sardenberg destaca a importância de sua atuação em um mercado ainda em consolidação para diretoras mulheres. “Tem acontecido um movimento de equipes e diretoras mulheres, acho demais. Fiquei com medo de não conseguir controlar 70, 60 pessoas num set. Mas aprendi muito sobre como me posicionar. Tive que me impor”, relata, consciente dos desafios, mas determinada a seguir em frente. “Sou super-humilde em falar que estou começando na direção. Dei um grande passo, mas sei que tenho muito chão pela frente”, completa.
Apesar de ter conquistado um novo nicho como diretora, Yana Sardenberg não pretende abandonar a atuação. “Não posso deixar minha atriz de lado, porque foi ela quem me fez chegar até aqui”, afirma. Ela descreve sua fase atual como a mais potente de sua carreira, impulsionada pela autonomia criativa e pela possibilidade de realizar projetos sem depender de aprovações externas. “Foram muitas crises, mas agora tenho me sentido mais potente no sentido de conseguir fazer o que quero, de conseguir fazer um projeto sem depender de uma aprovação de alguém. Isso me deu um gás”, conclui.