Em um evento exclusivo realizado na noite de terça-feira (13) em São Paulo, no Blue Noite, a cantora Luísa Sonza apresentou ao público e à imprensa seu mais recente trabalho, o álbum “Bossa Sempre Nova”. O Portal iG esteve presente no lançamento, que incluiu um pocket show intimista e um bate-papo com a artista. O disco marca uma imersão profunda de Sonza no universo da bossa nova, gênero que já dava sinais de sua presença em 2023 com o sucesso “Chico”, canção inspirada em um relacionamento e que alcançou o topo das paradas brasileiras.
O álbum, concebido de forma orgânica ao longo de 2025 com gravações ao vivo no estúdio, conta com 14 faixas e a participação de duas figuras emblemáticas da música brasileira. Roberto Menescal, um dos pilares da geração fundadora da bossa nova, coproduziu oito canções, incluindo quatro clássicos de sua parceria com Ronaldo Bôscoli e uma inédita com Luísa. Toquinho, célebre parceiro de Vinicius de Moraes, assina a coprodução de outras seis faixas, entre elas dois de seus grandes sucessos ao lado do Poetinha. O resultado é um registro que busca capturar a essência e o frescor da bossa nova, apresentada sob uma nova perspectiva.
Em sua conversa com os jornalistas, Luísa Sonza compartilhou que a bossa nova sempre fez parte de sua vida, ainda que de maneira mais sutil. “A bossa nova, de alguma forma, passa pela vida de todo brasileiro. No meu caso, ela sempre esteve ali, principalmente nos casamentos, quando eu cantava para noivas. Mas era algo muito raso até então”, declarou. O interesse genuíno pelo gênero se intensificou durante a criação de seu álbum anterior, “Escândalo Íntimo”. “Quando tive vontade de fazer uma música com base em bossa nova, resgatando referências da MPB dentro da letra, foi aí que o bichinho da bossa nova me picou. Desde então, quando ‘Chico’ surgiu, esse amor foi crescendo muito naturalmente, sem a pretensão inicial de virar um álbum.”
Luísa revelou que se dedicou a estudar a história do movimento. “Eu comecei a escutar muito, não só musicalmente, mas a buscar a história também. Fui me interessando por como a bossa surgiu, onde surgiu, pelas pessoas. O bichinho me picou mesmo com ‘Chico’”, comentou. A gravação do álbum foi descrita como uma experiência de aprendizado e troca intensa com Menescal e Toquinho. “Foi uma aula. Aprender, entender como a bossa nova funciona por dentro e, ao mesmo tempo, ver como a música conecta pessoas de gerações completamente diferentes.”
A artista confessou ter iniciado o projeto com certa apreensão, mas logo encontrou sintonia com os experientes músicos. “Eu pensava: como vai ser trabalhar com esses caras que são experts? Eu sempre vi a música como sentimento. Quando vi o Menescal falando a mesma língua que eu na interpretação, pensei: agora eu estou em casa.” Sonza também ressaltou a liberdade criativa desfrutada no estúdio, buscando sempre usar sua voz como ferramenta a serviço da música. “Eu me sinto muito mais intérprete do que cantora.”
A concepção visual de “Bossa Sempre Nova” também reverencia a tradição do gênero. A capa do álbum foi idealizada para remeter aos encontros que deram origem à bossa nova nos apartamentos do Rio de Janeiro, lembrando os locais frequentados por Nara Leão. “Desde o início, eu queria uma vista para o Rio, reproduzindo esse ambiente onde a bossa nasceu”, explicou. A inclusão de elementos como a cadeira de Oscar Niemeyer reforça a proposta de integrar a arte brasileira e sua pluralidade. “Isso também é um spoiler do próximo álbum.”
Luísa Sonza rechaçou a ideia de que a incursão em um gênero distinto do pop represente um risco, preferindo encarar o álbum como um recorte específico de sua carreira. “Sempre transitei por muitos ritmos, mas nunca tinha feito um álbum tão direcionado a um só gênero. Isso foi novo, especial e muito divertido para mim”, afirmou. Brincando sobre seus próximos passos, ela sugeriu a possibilidade de explorar outros nichos musicais, mas garantiu a manutenção de sua identidade artística. “Eu nunca vou largar a minha forma de fazer música. Essa é a minha raiz.”
Em relação ao avanço da inteligência artificial na música, Luísa Sonza apresentou seu álbum como uma resposta. “Esse álbum é totalmente orgânico, feito praticamente ao vivo. A resposta está aí. Eu acredito muito na regulamentação dessas tecnologias, mas trazer essas lendas da música e fazer um projeto real é a melhor resposta que eu posso dar.” Emocionada, a cantora elegeu “Você”, em parceria com Roberto Menescal, como sua faixa favorita: “Quando eu canto ‘Você’, com o Roberto Menescal, é nítida a minha alegria. Eu amo a letra, a melodia. Essa música tem o meu coração.”