Sônia Fátima Moura, mãe da modelo Eliza Samudio, rompeu o silêncio nesta terça-feira (6) após a notícia da localização do passaporte da filha em um apartamento em Portugal. A informação, divulgada inicialmente por um portal de notícias brasileiro antes mesmo de chegar à família, trouxe à tona sentimentos de profunda tristeza e cansaço emocional para Sônia.
Em um desabafo carregado de emoção, Sônia lamentou a forma como a mídia tem tratado o caso, criticando a falta de sensibilidade e ética de alguns profissionais. “Dói constatar que ainda existam profissionais da imprensa que escolham ignorar a sensibilidade, a ética e a responsabilidade, deixando de investigar os fatos com seriedade e de publicar uma matéria honesta e verdadeira”, declarou, ressaltando que aprendeu, da maneira mais dolorosa, a não esperar humanidade de todos diante de uma tragédia pessoal.
A mãe da modelo reiterou que Eliza está morta e que a exposição de sua imagem, especialmente em relação a um documento de 2007, reabre feridas em sua família. “Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma”, disse, emocionada. Ela criticou a utilização da imagem de Eliza como um “instrumento para gerar audiência, dinheiro e fama”, afirmando que cada exposição desnecessária transforma a saudade em revolta e impede que a história da filha seja lembrada com dignidade.
Sônia Fátima Moura também levantou dúvidas sobre a veracidade e as circunstâncias da descoberta do passaporte, que teria sido entregue ao consulado brasileiro em Lisboa por um inquilino. Segundo a mãe, a história apresentada possui “lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam”, e que a família acreditava que todos os documentos da jovem haviam sido destruídos após seu assassinato. Ela expressou desconfiança sobre a natureza aleatória dos fatos e a falta de respostas claras, que apenas ampliam a angústia do luto permanente.
Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010, sendo posteriormente confirmada sua morte, ordenada pelo ex-goleiro Bruno Souza. Sônia Moura declarou que, neste momento, opta pelo silêncio para tentar lidar com a dor, mas garantiu que exigirá das autoridades todas as respostas pendentes sobre o passaporte. “Essa é uma história marcada por muitas lacunas, e elas precisarão ser esclarecidas, porque minha filha merece respeito, verdade e justiça”, concluiu.
O passaporte, segundo informações do Portal Leo Dias, foi expedido em 2006 e contém apenas um registro de entrada em Portugal em 2007, sem carimbos de saída ou entrada em outros países. Essa informação diverge de relatos da família, que indicam que Eliza viajou à Europa em anos posteriores para acompanhar partidas de futebol e, em entrevistas na época, mencionou encontros com o jogador Cristiano Ronaldo.