Dezesseis anos se passaram desde a morte prematura e enigmática da atriz Brittany Murphy, um evento que abalou Hollywood e até hoje levanta questionamentos. A residência onde a estrela, então com 32 anos, foi encontrada sem vida em dezembro de 2009, em Los Angeles, agora enfrenta seu próprio desafio: permanece no mercado imobiliário, avaliada em aproximadamente R$ 108 milhões, sem encontrar um interessado.
A partida de Murphy, ocorrida em 20 de dezembro de 2009, foi oficialmente atribuída a uma pneumonia não tratada, complicada por anemia severa e o uso de medicamentos prescritos. No entanto, a ausência de substâncias ilícitas no laudo gerou desde cedo especulações e teorias sobre as circunstâncias que levaram à sua morte. A situação se tornou ainda mais complexa com o falecimento de seu marido, o roteirista Simon Monjack, apenas cinco meses depois, na mesma propriedade e por causas semelhantes.
A coincidência das mortes alimentou diversas teorias conspiratórias ao longo dos anos, incluindo a hipótese de envenenamento por metais pesados, levantada por exames independentes solicitados pelo pai da atriz, Angelo Bertolotti. Relatos sobre possíveis condições insalubres na casa, como a presença de mofo tóxico, também surgiram, embora tenham sido posteriormente descartados pelas autoridades. Um documentário de 2020 reacendeu o debate, sugerindo falhas no atendimento médico prestado a Murphy e levando o pai da atriz a insinuar, na época, um possível envolvimento da mãe e do então marido na tragédia, alegações sempre negadas por Sharon Murphy.
Apesar da sombra do mistério que paira sobre sua vida e morte, Brittany Murphy deixou um legado artístico notável. Nascida em Atlanta em 1977, ela conquistou o público com sua interpretação em “As Patricinhas de Beverly Hills” (1995) e consolidou sua carreira com atuações em filmes como “Garota, Interrompida”, “8 Mile”, “Recém-Casados”, “Uptown Girls” e “Sin City”. Sua voz também marcou a animação “King of the Hill”, e ela explorou o universo musical com o hit “Faster Kill Pussycat”, em colaboração com DJ Paul Oakenfold.
Enquanto o legado de Murphy perdura, sua antiga mansão em Hollywood Hills, um imóvel de seis quartos e nove banheiros com cerca de 870 metros quadrados, parece carregar um peso que afasta potenciais compradores. Colocada à venda no ano passado por US$ 18 milhões (cerca de R$ 108 milhões), e mesmo após reformas e ajustes no preço, a propriedade, que antes pertenceu à cantora Britney Spears, segue sem interessados. Antigos moradores e o próprio Simon Monjack já haviam relatado uma sensação de “azar” associada ao local, descrevendo-o como um ambiente de más energias, o que contribui para a aura sombria que envolve a propriedade.
Assim, 16 anos após a interrupção abrupta de uma promissora carreira, a história de Brittany Murphy continua a ser lembrada não apenas por seu talento, mas também pelo enigma de sua morte e pela mansão luxuosa que, apesar de seu valor, parece relutar em se desvencilhar de um passado envolto em mistério.