A 60ª edição do Super Bowl, que neste domingo (8/2) colocará frente a frente New England Patriots e Seattle Seahawks na disputa pelo título da NFL, terá um brilho especial fora das quatro linhas. Além dos craques em campo, o aguardado show do intervalo será comandado pelo fenômeno porto-riquenho Bad Bunny. Sua presença no palco, no entanto, segue uma tradição de grandes nomes da música que, assim como ele, não recebem cachê pela apresentação. A questão que intriga muitos é: por que artistas de renome mundial aceitam o convite sem remuneração direta?
O artista, que recentemente celebrou a vitória na categoria “Álbum do Ano” no Grammy 2026 com um disco inteiramente em espanhol, junta-se a um seleto grupo de estrelas que já abrilhantaram o palco do Super Bowl. Figuras como Beyoncé, Madonna, Eminem e Michael Jackson são exemplos de artistas que, apesar da magnitude do evento, não tiveram seus cachês pagos pela NFL. Essa prática se repetirá com Bad Bunny.
A ausência de pagamento, que pode parecer contraintuitiva diante do poder de barganha desses artistas, encontra sua justificativa na própria natureza do Super Bowl. O evento é reconhecido como um dos palcos publicitários mais caros do mundo, com números que impressionam: anúncios de 30 segundos durante a transmissão nos EUA chegam a custar cerca de US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 50 milhões). Estima-se que a arrecadação total da partida possa atingir a marca de US$ 800 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões).
Os dados de audiência reforçam o impacto do evento. Em 2025, o Super Bowl atraiu uma média de 126 milhões de espectadores nos Estados Unidos, superando os 123,7 milhões do ano anterior. O show do intervalo de 2025, com Kendrick Lamar, registrou uma média ainda maior, com 133,5 milhões de telespectadores, estabelecendo um novo recorde.
Diante desse cenário, a lógica sugere que os artistas deveriam receber quantias astronômicas. Contudo, as normas da NFL preveem que não haja cachê para as performances. A remuneração se limita a cobrir custos sindicais, produção do show, despesas de viagem e ensaios. Usher, por exemplo, que se apresentou em 2024, recebeu cerca de US$ 671 pela performance e aproximadamente US$ 1.800 pelos ensaios, conforme relatado pela Sports Illustrated.
A explicação para a aceitação por parte de artistas com faturamento milionário reside na visibilidade incomparável que o Super Bowl proporciona. O aumento nas reproduções de músicas e nas vendas de álbuns após as apresentações é notório. O Spotify registrou um crescimento de 430% nas reproduções de “Not Like Us”, de Kendrick Lamar, após sua performance em 2025. Justin Timberlake, em 2018, viu suas vendas digitais saltarem 534% no mesmo dia, enquanto Lady Gaga experimentou um aumento de 1.000% em 2017.
Madonna (2012), Maroon 5 (2019), Shakira e Jennifer Lopez (2020), e inúmeros outros artistas colheram frutos expressivos em termos de exposição e vendas nas horas e dias seguintes às suas apresentações. Para artistas como Bad Bunny, que segundo a Forbes faturou cerca de US$ 66 milhões em 2025, a ausência de um cachê imediato é compensada por um investimento estratégico em sua carreira, capitalizando na visibilidade global que o Super Bowl oferece e garantindo um retorno futuro exponencial.