O Carnaval de Olinda, em Pernambuco, se prepara para receber uma legião de celebridades, tanto brasileiras quanto internacionais, impulsionadas pelo fluxo turístico da época. No entanto, a projeção máxima dessas figuras icônicas se dará no tradicional Desfile dos Bonecos Gigantes. Nomes como Bruno Mars, Lady Gaga, João Gomes, Wagner Moura e até mesmo uma representação do Papa Leão XIV estarão entre os gigantes que observarão a folia do alto.
Com quase nove décadas de tradição, os bonecos gigantes já são uma marca registrada da cidade pernambucana. Ao longo dos anos, o acervo de personagens se expandiu, abrangendo personalidades das artes, esportes e política, conquistando milhares de admiradores. O que muitos desconhecem, contudo, são os detalhes intrincados por trás de sua concepção. O portal LeoDias conversou com Leandro Castro, empresário e produtor cultural à frente da Embaixada dos Bonecos Gigantes de Olinda – instituição fundada em 2008 – para desvendar esses segredos.
O processo criativo começa com a seleção dos homenageados, que, segundo Castro, são figuras com trajetórias marcantes nas esferas cultural e artística. No entanto, a dinâmica em Olinda permite encontros inusitados. Um exemplo notório foi a representação conjunta de Donald Trump e Kim Jong-Un, antes mesmo do histórico encontro real entre os líderes dos EUA e da Coreia do Norte, um evento que, conforme o produtor relatou, gerou considerável repercussão na mídia brasileira e internacional.
Personalidades associadas a eventos que transcendem o Carnaval também ganham vida em tamanho gigante. Galvão Bueno, por exemplo, é homenageado desde a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. “Acredito que essa combinação de sensibilidade e percepção do que acontece no cotidiano popular atrai grande atenção ao nosso trabalho”, pontua Leandro Castro.
A produção física dos bonecos é um trabalho minucioso e artesanal. Inicialmente, os bonecos são modelados em argila, o que facilita a captação das expressões faciais. “Posteriormente, criamos um molde a partir dessa modelagem. Desse molde, transferimos para a fibra de vidro, onde realizamos um acabamento detalhado. Em seguida, entram os processos de maquiagem, cabelo e figurino”, explica Castro.
O tempo médio de produção de cada peça é de cerca de 40 dias. Contudo, existem exceções notáveis. Leandro relata que os gols marcados por Richarlison na Copa do Mundo do Catar, em 2022, permitiram a criação do boneco gigante do atacante da Seleção Brasileira em apenas três dias. Ele ressalta, ainda, que toda a produção é realizada com recursos próprios, sem financiamento público. “Somos uma instituição privada. Os desfiles de Carnaval são custeados com recursos próprios, e pagamos impostos como qualquer outra empresa”, afirma.
O sustento do projeto vai além do desfile, que é gratuito e ocorre em vias públicas. A Embaixada dos Bonecos Gigantes de Olinda abriga dois museus localizados no bairro do Recife Antigo, atraindo uma média de 300 turistas diariamente. Os ingressos custam R$ 35 para visitar um dos museus, e o tour completo tem o valor de R$ 50.
“Existe uma engrenagem que faz as coisas acontecerem”, conclui Leandro Castro, reforçando a simbiose entre cultura e turismo. “A cultura fomenta o turismo, e o turismo, por sua vez, impulsiona a cultura.”