A partir desta segunda-feira, 2 de fevereiro, o Pix, sistema de pagamentos instantâneos que revolucionou as transações financeiras no Brasil, implementa novas diretrizes estabelecidas pelo Banco Central. As mudanças impactam diretamente as instituições financeiras, incluindo grandes nomes como Itaú e Bradesco, com foco no aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta crucial no combate a golpes e fraudes.
O Pix consolidou-se como o método preferencial de transferência no país, superando TED e DOC pela sua disponibilidade ininterrupta, operando 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive em finais de semana e feriados. A facilidade de uso, com chaves como CPF, CNPJ, número de celular ou códigos aleatórios, e a instantaneidade da transação, sem a necessidade de dados bancários tradicionais, são seus grandes atrativos.
A principal novidade reside na obrigatoriedade de todas as instituições participantes do Pix oferecerem uma funcionalidade aprimorada no MED. Anteriormente, a devolução de valores em casos de fraude era restrita à disponibilidade de saldo na conta do golpista. Com a atualização, o sistema agora é capaz de rastrear o fluxo do dinheiro por até cinco contas subsequentes, utilizando um inovador grafo de rastreamento. Essa tecnologia permite o bloqueio e a potencial recuperação de recursos, mesmo que o valor inicial tenha sido rapidamente redistribuído.
Segundo especialistas, a nova capacidade de rastreamento é um avanço significativo. “Agora, o rastreamento está muito mais completo. Se o golpista envia R$ 1.000 para a conta A e desta parte vai para a conta B, o sistema consegue bloquear os valores nas duas contas”, explica Cleórbete Santos, doutor em Computação e professor universitário. O MED, que já era opcional desde novembro de 2025, torna-se compulsório a partir de fevereiro de 2026, integrando-se a uma funcionalidade de contestação de transações já disponível desde outubro de 2025 nos aplicativos do Pix.
Apesar do avanço na segurança, Cleórbete Santos ressalta que o sucesso da devolução ainda depende da existência de saldo nas contas rastreadas. Portanto, a agilidade na comunicação e no registro da contestação por parte do usuário continua sendo um fator determinante para a minimização de perdas.
Para reforçar a proteção contra fraudes, o Banco Central e especialistas recomendam medidas preventivas como a confirmação de transações por vídeo com conhecidos, a atenção a solicitações de códigos via SMS ou aplicativos, o ajuste de limites de transferência, a ativação de autenticação em dois fatores, o cadastro de chaves Pix mesmo sem uso ativo e a verificação minuciosa de destinatário e valor antes de confirmar qualquer operação. A disseminação de informações sobre golpes entre amigos e familiares também é incentivada.