O posto de rainha de bateria, embora não confira pontos diretos na apuração do carnaval, ostenta um status de extremo prestígio e visibilidade. A figura que ostenta a coroa, mesmo sem ascender a um trono formal, exerce influência significativa na percepção e na vibrante atmosfera de um desfile, atraindo olhares atentos e, por vezes, julgamentos do público. Longe de ser uma jornada solitária, a coroa de rainha é sustentada por um verdadeiro séquito, um grupo dedicado de ‘súditos’ essenciais para a sua performance e permanência no posto.
Mileide Mihaile, figura já conhecida nos circuitos do carnaval paulistano, faz sua aguardada estreia no Rio de Janeiro como rainha de bateria da Unidos da Tijuca. Uma incursão nos bastidores revela que a grandiosidade do posto transcende o glamour e as lantejoulas, demandando uma complexa estrutura de suporte.
A rotina de Mileide, mesmo antes do amanhecer, é marcada por uma intensa agenda. Noites mal dormidas entre voos de São Paulo ao Rio evidenciam a maratona de ensaios, entrevistas e compromissos inerentes à sua nova função. Em um quarto de hotel transformado em improvisado camarim, uma miríade de produtos de beleza e ferramentas de styling aguardam a sua transformação.
A equipe que a acompanha é composta por profissionais dedicados, muitos dos quais vestem camisas com a imagem da rainha, um detalhe pensado para evitar reflexos indesejados na maquiagem. Rafael Moreira, maquiador, stylist e coordenador de purpurina, atua também como psicólogo da equipe, com 13 anos de amizade com Mileide. Ele enfatiza que seu papel vai além da estética, focando em manter a tranquilidade e garantir a integridade da performance da rainha.
Enquanto se submete à aplicação de cílios postiços e camadas de maquiagem, Mileide gerencia, através de seu celular, um universo que inclui um filho adolescente, uma carreira profissional e os preparativos para o carnaval. “A coroa vai muito além desse glamour”, declara a rainha, ressaltando a responsabilidade que acompanha o brilho e a dança. Ela expressa a certeza de que este reinado no Rio será um marco para sua família e parceiros.
A gravação de uma reportagem para o “RJ1” é apenas um dos compromissos do dia. Cada passo, fala e detalhe de sua rotina é meticulosamente registrado por Mickael Ribeiro, seu social mídia, videomaker, confidente e fã. A intensidade do trabalho, especialmente na reta final para o desfile, exige madrugadas regadas a energéticos para dar conta da produção de conteúdo.
Mickael, que acompanha Mileide há cinco anos, tendo sido convidado para a equipe após se destacar como fã durante um reality show, descreve a experiência como gratificante e surreal. A demanda de seu trabalho cresceu a ponto de ter um parceiro: Paulo Nicácio, fotógrafo. Paulo não apenas captura imagens, mas também terá a função de auxiliar com o volumoso costeiro no dia do desfile. Ele compartilha o sentimento de euforia e leveza ao integrar a equipe e vivenciar esse momento com Mileide.
Juliana Palmer, assessora de imprensa, coach de carnaval e “agenda ambulante”, assume o papel de “carrasco” da equipe. Com vasta experiência no universo do carnaval, assessorando dezenas de rainhas e musas, ela orienta sobre posicionamento, discurso e até mesmo a forma de sambar. Juliana é responsável por garantir a entrega de materiais, preparar pautas e, acima de tudo, zelar pela imagem que sua majestade transmitirá.
“Qualquer um hoje pode ficar famoso, mas como você quer ser famoso?”, questiona Juliana, enfatizando a busca por um “reinado de verdade” e uma “entrega verdadeira”. Ela atribui a viralização positiva de Mileide ao interesse genuíno do público por sua autenticidade, força e empoderamento, características que, segundo ela, a consolidam como uma rainha admirada e com potencial para permanência no trono.