O protetor solar, especialmente o facial, é um aliado indispensável na rotina de cuidados com a pele, fundamental para combater manchas, prevenir o câncer de pele e retardar o envelhecimento precoce. Contudo, um fenômeno conhecido como ‘derretimento do colágeno’, caracterizado pela degradação das fibras de sustentação da pele e consequente flacidez e rugas, pode ser agravado por práticas inadequadas de aplicação do filtro solar. Dermatologistas apontam dois equívocos frequentes que comprometem a eficácia do produto e a saúde da pele.
A ciência dermatológica ressalta que a maneira como o protetor solar é aplicado é determinante para a proteção oferecida. Ter o produto em casa e aplicá-lo de forma superficial pela manhã não garante a blindagem necessária contra os danos solares.
Erro 1: Subdosagem do Produto
O equívoco mais comum e de maior impacto é a aplicação de uma quantidade insuficiente de protetor solar. A eficácia de um produto, indicada pelo Fator de Proteção Solar (FPS), é calculada com base na aplicação padronizada de 2 miligramas por centímetro quadrado de pele. Na prática, a maioria das pessoas utiliza apenas um quarto dessa quantidade. O resultado é uma redução drástica e não proporcional da proteção. Um filtro com FPS 60, se aplicado pela metade da quantidade recomendada, não oferecerá um FPS 30, mas sim uma proteção significativamente menor, incapaz de bloquear danos celulares importantes. A economia no produto se traduz em vulnerabilidade para as fibras de colágeno e elastina.
Para garantir a dosagem correta, especialistas sugerem a ‘regra do dedo’: aplique uma linha contínua de protetor que preencha toda a extensão do dedo indicador. Essa medida, equivalente a aproximadamente 1 grama, é considerada o mínimo necessário para cobrir o rosto de forma adequada e assegurar o FPS indicado na embalagem.
Erro 2: Falta de Reaplicação
O segundo erro que compromete a integridade da pele e a preservação do colágeno é a negligência na reaplicação do protetor solar. A crença de que uma única aplicação matinal é suficiente para proteger a pele ao longo do dia é um mito. Os filtros solares, especialmente os de composição química, sofrem degradação com a exposição à luz. Além disso, fatores como suor, oleosidade natural da pele, atrito e até mesmo os movimentos faciais removem fisicamente a camada protetora ao longo do dia.
A recomendação dermatológica padrão é a reaplicação do protetor solar a cada duas horas de exposição contínua ao sol. Em ambientes urbanos, essa frequência pode ser ajustada, mas é crucial reforçar a proteção antes de atividades externas, como almoçar ao ar livre ou durante o trajeto de volta para casa no período da tarde. Ignorar a reaplicação deixa a pele exposta nos horários de pico de incidência de raios UVA, os maiores responsáveis pela quebra do colágeno e pelo envelhecimento estrutural da pele.
É importante notar que a proteção não se limita à exposição solar direta. A luz visível emitida por telas de computadores e smartphones também pode contribuir para a oxidação celular e o surgimento de manchas. Portanto, para quem passa longas horas em frente a dispositivos eletrônicos, especialmente em ambientes de escritório, a escolha de protetores que ofereçam proteção contra a luz azul é igualmente relevante.
Recomendações para uma Proteção Eficaz
Para combater o ‘derretimento do colágeno’, a escolha e a aplicação correta do protetor solar são essenciais. Tecnologias de longa duração podem auxiliar na estabilidade do produto na pele, mas a técnica de aplicação continua sendo fundamental. Aplique o protetor em pele limpa e seca, espalhando-o uniformemente por todo o rosto e pescoço, e aguarde a completa absorção antes de usar maquiagem.
Ao escolher um protetor solar, opte por produtos com FPS 30 ou superior e que ofereçam proteção de amplo espectro (UVA/UVB). Considere as necessidades específicas da sua pele (oleosa, seca, sensível) e o tipo de fórmula que melhor se adapta à sua rotina. Priorize produtos que você se sinta confortável em usar diariamente, garantindo a aplicação regular e a proteção contínua.