A recente aparição do cantor sertanejo Eduardo Costa, aos 46 anos, com a cabeça completamente raspada gerou repercussão entre seus admiradores. O artista revelou que a mudança drástica em seu visual foi motivada por uma acentuada perda capilar, resultado da combinação do uso de anabolizantes com um período de estresse prolongado, intensificado pela pandemia. “Meu cabelo ficou ralo demais”, declarou o cantor, que precisou recorrer a um transplante capilar.
O relato de Costa trouxe à tona um debate cada vez mais presente nos consultórios médicos: a relação entre o uso de esteroides anabolizantes e a saúde capilar masculina. Especialistas apontam que essas substâncias podem desencadear desequilíbrios hormonais que aceleram significativamente a queda de cabelo. Diante desse cenário, a questão que emerge é sobre a possibilidade de reversão do quadro antes que a perda seja definitiva.
De acordo com a tricologista Dra. Márcia Dertkigil, em entrevista à CARAS Brasil, a chance de recuperação dos fios está diretamente ligada à vitalidade dos folículos capilares. Se os folículos ainda estiverem ativos, mesmo que fragilizados, existem tratamentos clínicos que podem evitar procedimentos mais invasivos.
Recuperação Capilar: Quando Ainda é Possível Salvar os Fios
“Se os folículos ainda estiverem ativos, conseguimos estimular seu funcionamento. Hoje usamos uma combinação de terapias como microinfusão de medicamentos, laser de baixa intensidade, suplementos personalizados e até bloqueadores hormonais, sempre com acompanhamento médico”, explica a Dra. Márcia.
A médica ressalta que muitos pacientes buscam o transplante capilar como única solução, ignorando que ainda há margem para tratamentos menos agressivos. A agilidade no diagnóstico e na busca por auxílio profissional é crucial para preservar a saúde capilar.
A Dra. Márcia também enfatiza que a consulta médica não implica, necessariamente, na interrupção imediata do uso de anabolizantes, mas sim na avaliação individualizada de cada caso. “Quanto mais tempo o couro cabeludo é exposto a alterações hormonais como o excesso de DHT — hormônio estimulado pelos esteroides —, maior é a chance de que os fios não voltem a crescer naturalmente”, alerta. Ela acrescenta que “existem medicamentos que bloqueiam o DHT nos folículos pilosos”.
O DHT é o principal responsável pela miniaturização dos fios, processo que culmina no afinamento e eventual desaparecimento do cabelo. Por isso, o acompanhamento especializado é fundamental para interromper esse ciclo antes que se torne irreversível.
Estresse e Hormônios: O Caminho até o Transplante Capilar
No caso de Eduardo Costa, a perda capilar foi agravada pela combinação de anabolizantes e estresse intenso durante a pandemia. Essa junção de fatores pode potencializar os danos à saúde capilar.
“Situações de estresse intenso favorecem o surgimento de um quadro chamado eflúvio telógeno, que leva à queda difusa dos fios. Quando esse tipo de queda acontece junto com uma calvície genética estimulada por hormônios, o impacto visual é ainda mais drástico”, detalha a médica.
Quando os folículos capilares perdem a capacidade de responder aos estímulos clínicos, o transplante capilar se torna a alternativa mais viável. Contudo, a tricologista reitera que o procedimento cirúrgico deve ser considerado a última opção. “O implante é indicado quando há perda definitiva dos fios. Mas o ideal é sempre tentar preservar o cabelo original com tratamentos preventivos e clínicos o quanto antes”, orienta.
Para a especialista, sinais como afinamento dos fios, aumento da queda ao pentear ou lavar o cabelo e mudanças abruptas na densidade capilar são alertas importantes que não devem ser ignorados. “Quanto mais cedo for o diagnóstico, maior a chance de recuperação com tratamentos clínicos. O transplante deve ser sempre a última opção”, reforça.
O caso de Eduardo Costa serve como um exemplo público de um problema que afeta muitos homens. A situação evidencia a importância da informação, da prevenção e do acompanhamento médico especializado para a saúde capilar.