Em uma conversa reveladora dentro da casa do BBB 26, o participante Juliano Floss compartilhou uma intimidade que gerou curiosidade e debates fora do confinamento. O influenciador digital confessou sentir prazer em cheirar as axilas de sua namorada, a cantora Marina Sena, admitindo que por muito tempo nutriu receio e acreditou que tal preferência pudesse ser algo incomum ou até mesmo uma condição médica.
“Eu achava que era uma coisa doentia. É gostoso cheirar o sovaco dela”, declarou Floss, expressando também o embaraço em abordar o tema com os demais confinados: “Eu tenho vergonha de falar”. A declaração rapidamente viralizou nas redes sociais, impulsionando discussões sobre os limites da sexualidade, o conceito de fetiches e a interpretação de preferências pessoais.
Para lançar luz sobre o assunto, o médico integrativo Dr. Wandyk Alisson concedeu entrevista à CARAS Brasil, explicando que o comportamento relatado por Juliano Floss não é isolado e se insere em um contexto mais amplo da diversidade humana, muitas vezes mal compreendido pela sociedade.
O Que a Medicina Diz Sobre o “Axilismo”
O especialista ressalta que atrações por partes específicas do corpo são fenômenos conhecidos e não devem ser automaticamente associados a patologias. Segundo o Dr. Wandyk, a denominação “axilismo”, que ganhou popularidade online, descreve uma forma de fetichismo corporal específico. Na literatura científica internacional, tal atração é referida como armpit fetishism ou maschalagnia, caracterizando um interesse sexual, olfativo ou sensorial direcionado à região das axilas.
“Trata-se de um parcialismo sexual, ou seja, uma preferência direcionada a uma parte do corpo, inserida dentro do amplo espectro da sexualidade humana, desde que ocorra entre adultos, de forma consensual”, pontua o médico. Ele enfatiza que, clinicamente, o que define um comportamento como problemático são a ausência de consentimento, o sofrimento psíquico e o impacto negativo na vida social e funcional do indivíduo.
A Biologia Por Trás do Desejo Olfativo
Do ponto de vista fisiológico, as axilas possuem características que explicam a intensidade de seus odores. O Dr. Wandyk Alisson detalha a presença de glândulas sudoríparas apócrinas na região, que, em interação com a microbiota da pele, produzem compostos com potencial sensorial.
“Determinados compostos liberados nesse suor ativam vias olfativas que se conectam diretamente ao sistema límbico, área do cérebro ligada à emoção, memória e excitação. Embora ainda não exista consenso absoluto sobre feromônios humanos, há evidências de que esses estímulos olfativos modulam respostas emocionais e comportamentais de forma sutil”, explica o especialista. Ele acrescenta que a percepção desses odores é multifacetada, influenciada por fatores evolutivos, culturais, experiências pessoais e até mesmo o estado de saúde e higiene.
Concluindo, o Dr. Wandyk reforça que a atração por axilas, desde que consensual e sem causar prejuízos, é uma variação natural da sexualidade humana. “Sob a ótica médica, científica e integrativa, o chamado axilismo é uma variação do comportamento humano, influenciada por fatores biológicos, neurológicos, hormonais e culturais. Na ausência de sofrimento, constrangimento ou impacto negativo na vida do indivíduo, não é considerado um transtorno, mas sim parte da diversidade da sexualidade humana”, finaliza.