O jornalista Chico Felitti, autor da biografia “Elke: Mulher Maravilha”, viu-se no centro de um debate acalorado após declarações sobre o final da vida da icônica artista Elke Maravilha, feitas durante sua participação no programa “Sem Censura”, da TV Brasil. As afirmações de Felitti, que sugeriram um suposto “fim no esquecimento” e questionaram a origem da artista, provocaram reações contundentes de amigos e pessoas próximas a Elke.
Em entrevista posterior, a advogada e cineasta Solange Maia, amiga de longa data de Elke e diretora do documentário “Elke no País das Maravilhas”, refutou veementemente as declarações do biógrafo, classificando-as como “ridículas e falsas”. Segundo Maia, a ideia de que Elke teria morrido no esquecimento é infundada, assim como a descrição de seu apartamento como um local com “mais de cem sacos de lixo”. Ela assegurou que Elke contava com uma funcionária dedicada e que seu lar era mantido em ordem, repleto de arte e memórias.
A questão da origem de Elke Maravilha também foi alvo de controvérsia. Felitti apontou que a artista, que frequentemente mencionava ter nascido na Rússia, na verdade obteve um documento alemão, sugerindo uma possível inconsistência em suas narrativas. Solange Maia, no entanto, explicou que a situação documental de Elke era complexa, envolvendo o período da Segunda Guerra Mundial e as circunstâncias de sua família, e que a artista nunca negou o uso do passaporte alemão, mas que isso não definia sua identidade.
Outros nomes ligados à trajetória de Elke Maravilha também se manifestaram. O escritor Ton Garcia, autor de “Elke Maravilha – Além das perucas, saltos e batons”, corroborou a versão de que Elke nasceu em Leningrado (atual São Petersburgo) e que a documentação alemã foi obtida em um contexto específico de segurança e mobilidade durante o pós-guerra. O assessor Marcos Nienke também desmentiu a ideia de acúmulo de lixo no apartamento, descrevendo-o como um espaço com valiosas peças de arte e pertences da artista.
Nas redes sociais, a indignação se espalhou. Perfis como o @falandodeelke e figuras públicas como a cantora Karina Buhr e a apresentadora Astrid Fontenelle expressaram apoio à memória de Elke Maravilha, defendendo que a artista merece ser lembrada com respeito e verdade. Fontenelle, em particular, sugeriu que o que Felitti descreveu como “lixo” eram, na verdade, tesouros pessoais para Elke.
Diante da repercussão, Chico Felitti utilizou seu perfil no Instagram para defender seu trabalho e as informações apresentadas em sua biografia. Ele reafirmou que as alegações são verdadeiras e comprováveis, apresentando a certidão alemã da artista como evidência e explicando que o relato sobre o fim da vida de Elke se refere à sua percepção de falta de reconhecimento e dificuldades financeiras no final de sua carreira. Felitti ressaltou que sua pesquisa envolveu a entrevista de mais de cem pessoas e que a realidade, mesmo que controversa para alguns, é inegociável em um trabalho biográfico.
Elke Maravilha faleceu em agosto de 2016, aos 71 anos, no Rio de Janeiro, após complicações de saúde. A polêmica gerada pelas declarações de Chico Felitti e as respostas de seu círculo íntimo evidenciam a força do legado da artista e o desejo de seus admiradores em preservar sua imagem com fidelidade e carinho.