A recente repercussão de uma entrevista da cantora e empresária Rihanna à Vogue alemã, concedida em 2024, reacendeu o debate sobre a maneira como personalidades públicas lidam com suas histórias de vida. A artista revelou que, em sua fase atual, de maternidade e maturidade, se surpreende e até se arrepende de certas atitudes e comportamentos de sua juventude e início de carreira. Ao observar fotos antigas, Rihanna expressa um sentimento de estranhamento, questionando suas próprias ações passadas, uma reflexão que ressoa entre fãs e outros artistas.
Miley Cyrus é outro nome que passou por um processo similar de reavaliação crítica. A cantora já admitiu ter revisitado, com um olhar mais distanciado, sua fase mais controversa, marcada por performances e produções visuais que geraram grande impacto. O período entre 2012 e 2013, conhecido como a era “Bangerz”, significou uma ruptura definitiva com a imagem da adolescente Hannah Montana, da Disney Channel. Essa fase foi caracterizada por apresentações ousadas, como a performance no VMA de 2013, o lançamento de hits como “We Can’t Stop” e “Wrecking Ball”, e uma transformação visual notável, incluindo o icônico corte de cabelo curto.
Em sua participação no podcast “Reclaiming”, com Monica Lewinsky, Miley Cyrus abordou como as decisões tomadas na juventude afetaram sua imagem pública e relações pessoais. Ela reconheceu que a percepção sobre aquela época mudou drasticamente. “Foi nessa época que eu fui duramente atingida e fiquei muito envergonhada. Se eu continuasse me vestindo ou agindo de uma certa maneira, meus relacionamentos desmoronavam”, relatou, acrescentando que o fim de seu noivado com Liam Hemsworth foi influenciado pela dinâmica de expor aspectos íntimos que, segundo ela, “os homens queriam que fosse guardada apenas para eles”.
Billie Eilish também se juntou a este grupo ao comentar episódios de sua adolescência que ressurgiram em vídeos antigos. A cantora manifestou desconforto com declarações e posturas adotadas em tenra idade, ressaltando como a internet eternizou momentos que hoje considera imaturos e distantes de sua identidade atual. “Quando você é adolescente, você não se conhece de verdade, então está tentando se descobrir. Essa foi a coisa mais difícil para mim: eu realmente não sabia como me sentia. Então, eu simplesmente criei essa fachada à qual me apeguei”, confidenciou à Vogue Austrália. Aos 23 anos, Eilish já declarou discordar de muitas de suas falas aos 14 ou 15 anos, descrevendo a revisão desse passado como uma experiência desafiadora.
No Brasil, Luísa Sonza tem discutido abertamente sua jornada artística. Em 2024, durante o programa “Ambulatório da Moda”, a cantora revelou que diversas escolhas estéticas e comportamentais do início de sua carreira não condizem mais com seus valores atuais. “Eu acho que eu tinha uma certa inocência nesse negócio de mostrar corpo e da forma como eu me via. Porque, para mim, estava me sentindo bonita e gostosa, e tudo bem. Não me sexualizava como as pessoas faziam. Quando comecei a sentir esses efeitos desta sexualização, comecei a ter aversão disso. Vi as pessoas me levando pra um lugar de diminuir meu trabalho”, explicou. Sonza atribui essa fase a uma busca intensa por validação externa e aceitação, algo que hoje observa com maior distanciamento.
Britney Spears é outra artista que expressa desconforto ao revisitar fases anteriores de sua carreira. A cantora já manifestou arrependimento por alguns projetos e exposições passadas, incluindo o reality show “Britney and Kevin: Chaotic”, protagonizado no início dos anos 2000. Em seu livro de memórias “A Mulher em Mim”, lançado em 2023, Spears afirma não reconhecer a versão de si mesma que aceitou certos níveis de exposição e que, em retrospectiva, não repetiria tais decisões. “Houve tantas vezes em que tive medo de falar porque temia que alguém pensasse que eu era louca. Mas aprendi essa lição agora, da maneira mais difícil. Você precisa falar sobre o que está sentindo, mesmo que isso te assuste. Você precisa contar a sua história. Você precisa levantar a sua voz”, escreveu a artista.
Este fenômeno é comum entre artistas que alcançaram notoriedade ainda jovens. Com o passar do tempo e o acúmulo de experiências, a reavaliação de comportamentos e o confronto com versões antigas de si mesmos tornam-se processos naturais, frequentemente impulsionados pela maturidade e pela constante transformação pessoal.