Produtos que prometem acelerar a perda de peso e otimizar o desempenho físico têm ganhado espaço nas prateleiras de farmácias e lojas de suplementos. Trata-se dos chamados ‘supercafés’, uma categoria de bebidas que combina a cafeína tradicional com triglicerídeos de cadeia média (TCM) e outros compostos com potencial termogênico, visando um impulso rápido de energia.
A popularidade desses itens foi impulsionada por alegações de aprimoramento do desempenho atlético e da clareza mental. No entanto, especialistas alertam que a comunidade científica ainda não oferece comprovação robusta sobre a eficácia dessas fórmulas prontas para promover um emagrecimento definitivo.
Origens e Adaptações no Mercado
A concepção original desses produtos remonta à década de 2010 nos Estados Unidos, a partir de iniciativas experimentais. Um empresário americano, inspirado por bebidas à base de manteiga consumidas em viagens, desenvolveu e comercializou uma mistura energética. Atualmente, diversas marcas brasileiras oferecem variações desses ‘supercafés’, frequentemente enriquecidas com aditivos diversos para atrair o público praticante de atividades físicas.
Composição e Diferenças em Relação ao Café Tradicional
A adição de TCMs às formulações visa facilitar a rápida absorção desses lipídios pelo organismo. Contudo, é crucial notar que o consumo diário desses produtos pode elevar significativamente a ingestão calórica em comparação ao café puro. Indivíduos com condições como colesterol elevado ou histórico de problemas gastrointestinais devem ter cautela e, preferencialmente, evitar o uso contínuo.
Em contrapartida, o café preto tradicional, quando consumido sem adições de açúcar ou adoçantes, apresenta um perfil calórico extremamente baixo. A composição dos supercafés pode incluir ainda vitaminas do complexo B, minerais como o cromo e a taurina, substância conhecida por seu papel na redução da fadiga muscular durante exercícios intensos. Especiarias como canela, pimenta, gengibre e cúrcuma também são frequentemente incorporadas para gerar uma sensação de aquecimento, embora suas baixas concentrações nas misturas comerciais limitem seu impacto real na queima de gordura.
Análise Científica sobre o Emagrecimento
A maioria das alegações de perda de peso associadas a esses produtos ainda carece de validação científica sólida. A performance atlética e a saúde metabólica são, primordialmente, influenciadas por uma dieta equilibrada, sono de qualidade, genética individual e a consistência nos treinos.
Apesar de serem promovidos como opções com baixo teor de carboidratos, os supercafés não devem substituir refeições completas. Alimentos naturais fornecem gorduras saudáveis e nutrientes essenciais de forma mais segura e eficaz para o bom funcionamento do organismo. O café preto comum, por sua vez, demonstrou em estudos científicos a capacidade de otimizar o rendimento físico em até 5%, além de melhorar o foco mental, com um custo significativamente menor.
Considerações sobre o Uso como Pré-Treino
Para quem busca um estímulo básico antes da atividade física, o café tradicional é uma opção com maior respaldo científico e custos mais acessíveis. O consumo de supercafés pode ser considerado para indivíduos que necessitam de uma fonte rápida de calorias e que toleram bem as gorduras adicionadas. É fundamental manter uma hidratação adequada ao optar por suplementos termogênicos, pois eles podem aumentar a temperatura corporal. Recomenda-se sempre a consulta a um nutricionista esportivo antes de incorporar qualquer novo produto à rotina de treinos.