A recente extinção do programa infantil ‘Bom Dia & Cia’ da programação do SBT, ocorrida em 12 de abril, gerou divergências internas na emissora. Silvia Abravanel, que atualmente comanda o ‘Sábado Animado’ e supervisiona o departamento infantil, manifestou publicamente sua discordância com a decisão.
Abravanel defendeu a importância de manter uma grade dedicada ao público infantil ao longo de toda a semana. “É fundamental que a programação infantil esteja presente todos os dias da semana, sim”, declarou a apresentadora, comentando o encerramento da exibição do programa estrelado pela dupla Patati Patatá, que foi retirado do ar devido a resultados insatisfatórios de audiência.
A declaração foi feita durante sua participação no programa ‘Jornal dos Famosos’, transmitido pela LeoDias TV nesta quarta-feira (24). Na entrevista, Silvia Abravanel analisou os acertos e os equívocos do SBT em 2025 e, ao ser questionada sobre a performance da dupla de palhaços, reforçou sua posição sobre o segmento infantil.
Na visão da apresentadora, a contratação de Patati Patatá representou uma iniciativa positiva. “Foi excelente. A programação infantil precisa ocupar todos os dias da semana. E quem melhor para conduzir um programa infantil do que palhaços?”, argumentou.
Silvia Abravanel também teceu elogios à adaptação brasileira do reality show ‘The Voice Brasil’, destacando seu valor na descoberta de novos talentos. “Achei muito interessante porque revela novos artistas”, afirmou.
Ao abordar outras mudanças na emissora, a apresentadora revelou que preferia o retorno do jornalístico ‘Aqui Agora’ com Christina Rocha. Contudo, reconheceu o impacto da jornalista em ‘Casos de Família’ e elogiou seu estilo de condução. “Eu admiro muito a Christina. Ela é a personificação daquele programa. Ele tem a cara do SBT! É popular, as pessoas se identificam com as histórias, e quem assiste em casa precisa sentir que aquilo é real. A Christina é uma mediadora e psicóloga excepcional”, avaliou.
Por outro lado, nem todas as apostas da emissora receberam o mesmo endosso. Silvia mencionou a faixa de novelas asiáticas (doramas) e compreendeu a interrupção após o desempenho aquém do esperado de ‘Meu Amor das Estrelas’. “Por que tiraram? Porque não funcionou. Um time que não está vencendo, a gente substitui, coloca no banco de reservas”, justificou.
Ela também correlacionou as decisões de programação com a esfera comercial da televisão, sustentando que audiência e rentabilidade são fatores determinantes para as alterações. “Porque a televisão também depende de dinheiro, não é apenas de agradar o público com a programação. Se não estava sendo lucrativo para nós na grade, acredito que é preciso inserir outros conteúdos que gerem receita.”
Em suas considerações finais, Silvia Abravanel relativizou os riscos assumidos pelo SBT, pontuando que erros são inerentes ao processo e citando o próprio pai, Silvio Santos (1930-2024), como exemplo de quem também tomava decisões de forma ágil. “Eu penso que uma emissora vive de acertos e erros. Nada é perfeito. Até meu pai cometia equívocos! A televisão era o brinquedo dele, ele alterava a grade, não tinha a paciência de esperar o tempo necessário para que algo desse certo. Eu costumava dizer: ‘Pai, você não pode lançar um programa agora e esperar que em quatro horas ele já dê resultado, não é assim. É preciso esperar pelo menos quinze dias’. Mas ele decidia e pronto, a televisão era dele”, relembrou.