Três anos após a perda de seu marido, o engenheiro Carlos Eduardo de Souza Dantas Ferreira, a renomada atriz Sylvia Bandeira, aos 75 anos, compartilha uma perspectiva transformada sobre o luto. Em um momento de reflexão, a artista, que atualmente brilha nos palcos cariocas com a peça “Charles Aznavour – Um Romance Inventado”, revela que a dor da ausência se metamorfoseou em um sentimento mais sereno. “A saudade ficou mais leve”, declarou Bandeira em entrevista exclusiva à revista CARAS.
A atriz, conhecida por sua discrição em relação à vida pessoal, descreveu o período pós-morte do companheiro como “bastante doloroso”. “Não se fala do luto, as pessoas não conversam, mas eu falava. O Eduardo foi uma pessoa importantíssima na minha vida”, ressaltou, lembrando os quase quarenta anos de união que resultaram no nascimento de sua filha, Melina. Apesar de terem vivido em casas separadas por um período, a cumplicidade do casal era notória, e Carlos Eduardo foi um pilar de apoio fundamental para a carreira de Sylvia, especialmente para o espetáculo que ela protagoniza.
Bandeira observa que a jornada de luto é individual, mas que, para ela, a fase atual representa uma “outra fase”. “É como se eu estivesse entrando numa outra fase”, explicou. Ela mantém viva a memória do marido, homenageando-o em datas especiais nas redes sociais, mas agora encontra um novo equilíbrio. “Claro que é possível falar de recomeço, porque a vida sou eu aqui, agora. Sinto-me mais leve, mais livre”, afirmou, encontrando alegria na companhia dos netos, filhos e na própria arte.
A paixão pela atuação, aliás, é o que move Sylvia Bandeira há quase cinco décadas. Com um currículo extenso que abrange televisão, teatro e cinema, a atriz demonstra um entusiasmo contínuo pela profissão. “Depois de tanto tempo, eu continuo permanentemente entusiasmada com essa profissão de atriz e a variedade de coisas que se pode fazer, não só no teatro, como no cinema e na televisão”, compartilhou a artista.
No ano passado, Sylvia marcou seu retorno às novelas em “Dona de Mim”, da TV Globo, após um hiato de oito anos. Sua interpretação de Isabela, mãe de Filipa (vivida por Cláudia Abreu), foi celebrada pela atriz. “Foi uma pequena participação, mas uma personagem deliciosa, fofoqueira, interesseira. A Isabela é bem diferente das outras personagens que fiz na televisão. Amei!”, comentou, referindo-se à trama escrita por Rosane Svartman.
Com passagens marcantes por novelas como “Um Sonho a Mais”, “Bebê a Bordo”, “Suave Veneno”, “Escrava Isaura” e “Vidas Opostas”, Bandeira, que foi um ícone das décadas de 70 e 80, sente o carinho do público. “Não sei se o público pedia pela minha volta, mas ele ficou encantado, o que me deixou também muito feliz”, disse. Atualmente, ela tem projetos em vista, incluindo um curta-metragem e uma peça teatral, além de um projeto pessoal de teatro. “E acho que o que falta realizar profissionalmente é ser mais desconstruída como atriz, fazer uma coisa totalmente diferente do que eu já fiz. Isso também é o que me move”, concluiu.