A intervenção do Banco Central em uma das instituições financeiras mais populares do Brasil gerou um clima de apreensão e incerteza entre seus milhares de correntistas. O desfecho, que culminou na falência do banco, marcou um dos episódios mais significativos na história do sistema bancário nacional, deixando um rastro de dúvidas no mercado financeiro.
Fundado em 1944 como Banco Nacional de Minas Gerais, o Banco Nacional alcançou um patamar de destaque no cenário brasileiro. Sua estratégia de marketing agressiva, com forte investimento em patrocínios esportivos e a associação com o nome do ídolo Ayrton Senna, contribuiu para a construção de uma imagem de solidez e confiança junto ao público.
Ao longo de sua trajetória, o banco expandiu sua atuação através de aquisições estratégicas. Em 1958, incorporou o Banco Sotto Maior; em 1970, o Banco do Grande São Paulo; e em 1972, o Banco do Comércio e Indústria de Minas Gerais. Essas movimentações consolidaram sua presença e o posicionaram entre os maiores conglomerados financeiros do país.
No entanto, sinais de alerta começaram a surgir no final da década de 1980. Relatórios internos de 1988 já indicavam uma situação financeira delicada. Com o passar dos anos, as irregularidades se intensificaram, levando auditorias a identificarem distorções relevantes nos balanços da instituição, o que atraiu a atenção dos órgãos reguladores.
Diante da gravidade da situação, o Banco Central tomou medidas drásticas. Em 18 de novembro de 1995, o órgão instaurou o Regime de Administração Especial Temporária, afastando os dirigentes e nomeando um novo conselho com poderes para gerenciar a crise. O objetivo era tentar conter os danos ao sistema financeiro.
Durante a intervenção, a descoberta de 652 contas fictícias, movimentando um valor equivalente a cinco vezes o patrimônio líquido do banco, revelou a existência de fraudes estruturais. Essa constatação tornou inviável qualquer perspectiva de recuperação para a instituição.
O desfecho da crise se deu com a divisão do Banco Nacional em duas entidades: o “good bank”, com ativos saudáveis, foi adquirido pelo Unibanco; e o “bad bank”, que permaneceu com os ativos problemáticos sob o nome original. Esse processo selou oficialmente o fim do Banco Nacional no mercado.
O caso teve forte repercussão judicial. Em 1997, o Ministério Público Federal denunciou 33 pessoas envolvidas nas fraudes, e o controlador Marcos Magalhães Pinto chegou a ser condenado em primeira instância. O processo, com seus recursos e revisões, evidenciou a dimensão das irregularidades e a necessidade de maior rigor na fiscalização.
A falência do Banco Nacional expôs falhas de governança, controle interno e transparência no setor financeiro da época. Desde então, o episódio serve como um marco, impulsionando o endurecimento de regras e o aprimoramento dos mecanismos de supervisão pelo Banco Central.
É importante ressaltar a diferença entre falência e recuperação judicial. Enquanto a falência representa o encerramento definitivo das atividades por inviabilidade econômica, a recuperação judicial busca a preservação da empresa, a manutenção de empregos e a renegociação de dívidas. No caso do Banco Nacional, as irregularidades tornaram a falência o único caminho possível.