Em um encontro marcado pela busca por transparência, o empresário John Textor esteve presente no centro de treinamento do Botafogo nesta quinta-feira (23/4). A reunião teve como objetivo principal apresentar aos jogadores os detalhes sobre o pedido de recuperação judicial protocolado pelo clube na Justiça do Rio de Janeiro no dia anterior, conforme apurado pela ESPN.
Durante a conversa, Textor expôs os pormenores do processo e abriu espaço para que os atletas pudessem fazer seus questionamentos. Um dos líderes do elenco, o lateral-esquerdo Marçal, teria solicitado esclarecimentos adicionais, que foram prontamente fornecidos pelo dirigente.
Ainda segundo informações da ESPN, Textor buscou transmitir uma mensagem de tranquilidade ao elenco, assegurando que a medida judicial visa garantir o pagamento dos salários, uma das maiores preocupações dos jogadores diante da atual conjuntura.
O proprietário da SAF do Botafogo permanecerá no Brasil durante a semana, dedicado a assuntos relacionados ao clube. Sua agenda inclui acompanhar a delegação em Brasília, onde o Botafogo enfrentará o Internacional neste sábado (25/4), no Estádio Mané Garrincha, pela Série A do Campeonato Brasileiro.
Pedido à Justiça e Impacto no Elenco
A petição enviada à 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro solicita a suspensão de execuções e medidas de cobrança, além de proibir ações como penhoras e bloqueios de bens durante o período de recuperação judicial. O documento também especifica que jogadores e fornecedores não poderão rescindir contratos ou se recusar a atuar em partidas devido a dívidas anteriores a 21 de abril de 2026, classificadas como “créditos concursais”.
O clube requer, entre outras coisas, que os envolvidos se abstenham de rescindir contratos indiretamente pelo não pagamento de débitos concursais ou pelo simples ajuizamento do pedido de recuperação judicial. Adicionalmente, pede-se que não haja recusa na prestação de serviços e participação em partidas caso a justificativa seja o não pagamento de créditos concursais.
A SAF também busca impedir que credores antecipem vencimentos de contratos ou executem garantias firmadas com o clube.
Dívidas Bilionárias e Risco Operacional
O panorama financeiro apresentado na ação judicial, obtido pela ESPN, revela um passivo total que ultrapassa R$ 2,5 bilhões, sendo aproximadamente R$ 400 milhões referentes a débitos tributários. Desse montante, R$ 1,4 bilhão corresponde a dívidas já vencidas ou com vencimento previsto até o final de 2026.
Os advogados do clube alertam para a gravidade da situação, destacando que as dívidas aumentam diariamente, impactando fornecedores, outras entidades desportivas e funcionários, a ponto de não haver recursos suficientes para cobrir integralmente a folha salarial do próximo mês.
Em outro trecho, os representantes legais reforçam o risco direto à operação da SAF, argumentando que os ativos do clube estarão sujeitos a inúmeros ataques de credores, o que pode levar a um esvaziamento patrimonial e de fluxo de caixa, inviabilizando a atividade empresarial.
Os documentos também revelam prejuízos consecutivos nos últimos três anos: R$ 56 milhões em 2023, R$ 300 milhões em 2024 e R$ 287 milhões em 2025. O patrimônio líquido negativo, que atingiu R$ 427,2 milhões negativos no último balanço, evidencia uma deterioração financeira contínua.
O encontro entre John Textor e o elenco ocorre em meio a este cenário complexo, com a diretoria buscando alinhar as informações internas enquanto o processo judicial segue seu curso.