Uma operação de resgate internacional conduzida pelo FBI resultou na recuperação de uma criança americana de 10 anos que havia sido levada a Cuba supostamente para se submeter a procedimentos médicos relacionados à transição de gênero. A missão, que envolveu o uso de uma aeronave do Departamento de Justiça dos EUA, levantou especulações sobre sua natureza incomum.
Documentos judiciais revelaram que o voo, que partiu da Virgínia com destino a Cuba, tinha como objetivo localizar e trazer de volta a criança, que, segundo alegações, foi retirada dos Estados Unidos sem a autorização de sua mãe biológica. As responsáveis pelo ato foram identificadas como Rose e Blue Inessa-Ethington, de 42 e 32 anos, respectivamente, residentes em Utah.
As duas mulheres foram detidas em território cubano e agora enfrentam acusações federais de sequestro. Relatos indicam que Rose, que antes de sua transição de gênero é o genitor biológico da criança, compartilha a guarda com a mãe identificada nos autos como “LB”.
A investigação, detalhada em declaração pela agente do FBI Jennifer Waterfield, aponta para um plano elaborado que incluiu deslocamentos internacionais e um custo estimado de US$ 10.000. As suspeitas teriam ludibriado a mãe biológica, informando que levariam a criança para uma viagem de acampamento no Canadá, mas desviaram para o México e, posteriormente, Cuba.
Especialistas em sequestro parental consideram a mobilização de uma aeronave governamental de grande porte para um caso como este como algo raramente visto e extremamente incomum.
O caso ganha contornos mais complexos em virtude do debate político nos Estados Unidos sobre procedimentos de transição de gênero em menores. Conforme os autos, familiares expressaram preocupação de que a criança, descrita como um “menino biológico de 10 anos que se identifica como menina”, pudesse passar por uma cirurgia antes da puberdade.
Com a colaboração das autoridades cubanas, Rose e Blue foram localizadas e presas. A criança foi resgatada e devolvida à sua mãe biológica em Utah no dia seguinte. Representantes legais das acusadas não foram localizados para comentar o caso.
Melissa Holyoak, primeira assistente do procurador dos EUA em Utah, elogiou a rápida ação policial que resultou na restituição da criança à sua mãe. As acusadas foram posteriormente transferidas para Richmond, Virgínia, em uma aeronave do Departamento de Justiça.
Registros indicam que a criança dividia seu tempo entre as residências das mães. No final de março, Rose e Blue comunicaram uma viagem com a criança e outro filho, de 3 anos, para o Canadá, mas não chegaram ao destino e interromperam o contato com a mãe biológica. O retorno, previsto para 3 de abril, não ocorreu, configurando uma violação do acordo de custódia.
As investigações sugerem que o grupo atravessou a fronteira dos EUA e embarcou para a Cidade do México, seguindo depois para Mérida e, em 1º de abril, para Havana. Documentos apreendidos na residência das acusadas indicam um planejamento meticuloso, incluindo fechamento de contas bancárias, aprendizado de espanhol e obtenção de vistos.
Também foram encontrados materiais relacionados a terapias de afirmação de gênero para crianças e um pedido de pagamento por serviços nessa área. Em 13 de abril, um tribunal estadual concedeu guarda exclusiva à mãe biológica e determinou o retorno imediato da criança, o que foi efetivado dias depois com a localização do grupo pelas autoridades cubanas.
Registros indicam que parentes acusaram Rose de influenciar a criança em relação à sua identidade de gênero, e investigadores apontam a ausência de intenção de retorno aos EUA como um possível indicativo de violação das leis internacionais de sequestro parental.
Steven Ethington, irmão de Rose, relatou que a cirurgia de transição era uma insistência de Rose desde que a criança tinha cerca de 5 anos, e que apoiaria a identidade de gênero da criança caso fosse uma escolha genuína. A advogada da mãe biológica, Tess Davis, mencionou que a possibilidade de cirurgia já era um ponto de discórdia durante o divórcio, e que a mãe temia nunca mais rever a criança.