A iminente transferência do zagueiro Alexander Barboza para o Palmeiras, que se aproxima de ser oficializada, não deverá gerar um influxo financeiro direto para os cofres do Botafogo. Conforme apurado pela reportagem da ESPN, a negociação é afetada por um acordo pré-existente entre a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) alvinegra e o fundo de investimento norte-americano GDA Luma.
O contrato em questão, firmado em fevereiro, detalha um empréstimo de US$ 25 milhões concedido ao clube. Como garantia para este aporte financeiro, o acordo estabelece que os futuros recebíveis provenientes da venda de atletas serão direcionados ao fundo. O documento especifica que o Botafogo gera, periodicamente, “uma série de recebíveis decorrentes da transferência de jogadores de futebol que fazem parte (ou que fizeram parte) de seu elenco”.
A estrutura estabelecida pelo acordo é clara quanto ao fluxo de pagamentos. Uma cláusula específica determina que “realizar todos os pagamentos relativos aos créditos de transferência exclusivamente para a conta da credora”, ou seja, do GDA Luma. Isso significa que os clubes compradores, como o Palmeiras, deverão depositar os valores diretamente no fundo, sem que eles transitem pela conta do Botafogo.
O contrato ainda reforça a primazia desta instrução de pagamento sobre quaisquer outras negociações ou acordos prévios. A redação aponta que “tais instruções de pagamento prevalecerão e substituirão qualquer outra ordem de pagamento, acordo, arranjo ou entendimento”, solidificando o controle do fundo sobre esses ativos.
Adicionalmente, o acordo restringe o acesso do Botafogo aos recursos. O texto informa que “a mutuária não terá direito de acesso, uso, alienação, controle ou usufruto benéfico sobre tais créditos de transferência a qualquer momento”, impedindo que a SAF utilize esses valores.
A natureza desses créditos é definida como “ativos proprietários de propriedade da credora”, o que exclui a possibilidade de serem contabilizados como receita operacional para o clube. Dessa forma, a receita estimada em cerca de US$ 4 milhões pela venda de Barboza ao Palmeiras deverá ser utilizada para abater a dívida com o GDA Luma, sem representatividade imediata no fluxo de caixa botafoguense.
Em paralelo, o GDA Luma protocolou um pedido na Justiça para figurar como “terceiro interessado” no processo de recuperação judicial da SAF do Botafogo. O fundo busca ser notificado sobre quaisquer decisões relevantes que possam impactar seus direitos creditórios e garantias, como “suspensão de exigibilidade, vencimento antecipado, amortização acelerada, excussão de garantias, travas fiduciárias, retenções, redirecionamento de recebíveis, mecanismos de cobrança” ou “quaisquer medidas que afetem os direitos creditórios e garantias de credores da SAF Botafogo”.
O processo judicial segue em análise, e as decisões futuras poderão influenciar a ordem de pagamento das obrigações da SAF. Segundo informações da ESPN, o GDA Luma figura como o principal credor financeiro do Botafogo, com uma dívida superior a R$ 124 milhões, superando outros credores como atletas, comissões técnicas, clubes e fornecedores.