A data de amanhã marca um momento de profunda reflexão: 30 anos separam o país da tragédia que ceifou a vida dos Mamonas Assassinas em pleno sucesso. A queda de um avião, ocorrida em 1996, não apenas interrompeu a trajetória meteórica de cinco jovens, mas também deixou uma marca indelével em uma geração e na história da música brasileira. Três décadas depois, a memória da banda continua viva, impulsionada por familiares que dedicam suas vidas a preservar o legado dos artistas.
Recentemente, um evento inédito trouxe à tona novas emoções. Durante a exumação dos restos mortais dos integrantes, realizada para a cremação e posterior homenagem em um memorial, uma jaqueta encontrada no túmulo do vocalista Dinho surpreendeu a todos. Segundo Jorge Santana, primo de Dinho e CEO da marca Mamonas, a peça, que estava no local desde o sepultamento, permaneceu praticamente intacta, um achado inesperado que reforça o impacto emocional da perda.
Para assinalar este marco temporal e celebrar a trajetória dos irreverentes garotos de Guarulhos, a TV Globo lança amanhã o documentário “Mamonas, eu te ai love iú”. Em paralelo, a revista Retratos apresenta um panorama sobre como os familiares e pessoas próximas aos Mamonas Assassinas lidam com a saudade e mantêm viva a história do grupo.
Hildebrando Alves, pai de Dinho, aos 78 anos, reside em Guarulhos com a esposa Célia. Aposentado, ele é pai de outros dois filhos e avô de dois netos. Por muitos anos, a família manteve a “Chácara dos Mamonas” em Itaquaquecetuba, um espaço que abrigava o acervo da banda e que foi palco de celebrações durante o auge do grupo. Em 2019, Hildebrando decidiu vender o local, explicando a decisão pela falta de tempo para a manutenção e pela urbanização crescente da região, anunciando que os objetos seriam levados para sua residência.
Grace Kellen, irmã de Dinho, tinha apenas 16 anos e estava grávida quando a tragédia ocorreu. Casou-se com o namorado da época e tem dois filhos: Alecssandra, que completará 30 anos em maio e recebeu o nome em homenagem ao tio, e Benício, de 10 anos. Grace se dedica ativamente à preservação da memória do grupo.
Valeria Zoppello, noiva de Dinho na época, trilhou caminhos distintos. Após atuar como atriz e piloto de automobilismo, optou por uma vida mais reservada. Aos 51 anos, reside na Serra da Cantareira, dedica-se à fotografia e é proprietária de um orquidário, sem ter se casado ou tido filhos.
Mirella Zacanini, com quem Dinho namorou por mais de três anos, lançou o livro “Pichulinha” em referência ao apelido mencionado na música “Pelados em Santos”. Atualmente, como evangélica, gravou um disco gospel em 2017 e, em 2023, estreou a série infantil “Escolinha de Jesus”, que produz e na qual atua.
Na família do guitarrista Bento Hinoto, a matriarca Dona Toshiko faleceu em junho do ano passado, aos 100 anos, após o pai, Shizuo, já ter partido. Contudo, a veia artística se manifesta em Beto Hinoto, sobrinho de Bento. Nascido dois anos após a tragédia, Beto integrou uma nova formação dos Mamonas Assassinas em 2023 e interpretou o tio no filme lançado no mesmo ano. O jovem de 28 anos, filho de Maurício Hinoto, irmão de Bento e produtor inicial da banda, segue em turnê pelo país, celebrando o repertório do grupo.
Para Sérgio e Samuel Reoli, baterista e baixista respectivamente, o mês marca dois anos da partida de Dona Nena, a mãe dos músicos. Seu Ito, o pai, continua sendo o principal guardião do legado dos filhos. Em 2023, ele participou das gravações do filme sobre a banda e tem marcado presença em tributos. Em 2024, foi visto tocando violão e cantando “Minha camisa vermelha”, versão de “Pelados em Santos” popularizada pela torcida do Internacional, time do qual é torcedor.
Paula Rasec, irmã do tecladista Júlio Rasec, é uma das figuras centrais na manutenção da história da banda, mantendo-se ativa nas redes sociais com homenagens e compartilhamento de memórias. Sua amizade com Grace Kellen, irmã de Dinho, demonstra a força dos laços familiares que transcendem o tempo e a dor da perda, unindo as famílias mesmo três décadas após a trágica partida dos Mamonas Assassinas.